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Todo ano, no terceiro sábado de setembro, o Dia Mundial de Limpeza reúne voluntários em praças, rios, praias e terrenos baldios para recolher resíduo descartado de forma irregular. Em 2026, a data cai em 20 de setembro. O que a maioria dos organizadores não planeja é o que fazer com resíduo eletrônico em mutirões de limpeza, porque televisor, monitor, bateria e placa de circuito não seguem o mesmo caminho do resíduo comum recolhido nesse tipo de ação.
Este artigo explica por que isso acontece e qual é o caminho correto quando resíduo eletrônico aparece em mutirões de limpeza.
A ação tem origem em um programa sem fins lucrativos organizado desde 1986 pela organização americana Ocean Conservancy, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. O objetivo original era limpeza costeira, e hoje o movimento se estende a rios, praças, terrenos baldios e áreas urbanas em geral, sempre no terceiro sábado de setembro.
Eletroeletrônico descartado em terreno baldio ou às margens de rio é uma cena comum nesse tipo de mutirão, porque esse resíduo específico é um dos que mais aparece em descarte irregular no Brasil, ao lado de entulho e resíduo volumoso.
Resíduo orgânico ou reciclável comum, depois de recolhido, costuma ir para cooperativa de triagem ou para o sistema municipal de coleta seletiva. Resíduo eletrônico segue uma cadeia diferente, regida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, que atribui a fabricantes e importadores a responsabilidade por estruturar sistemas de logística reversa para esse tipo específico de produto.
Misturar equipamento eletrônico com o restante do material recolhido no mutirão faz esse resíduo perder o caminho correto de destinação, e pode gerar problema ambiental se descartado junto com resíduo comum em aterro, em vez de seguir para manufatura reversa.
Nem sempre é óbvio para quem está fazendo a triagem em campo. Cabo, controle remoto, carregador, bateria e pilha também entram na categoria, não só o equipamento maior como televisor e monitor. A regra prática é simples: se o objeto tem circuito, bateria, ou depende de energia elétrica ou pilha para funcionar, ele é resíduo eletrônico e não deve seguir para o descarte comum, mesmo que pareça pequeno ou sem valor aparente.
O primeiro passo é separar o material eletrônico do restante do resíduo recolhido, ainda no momento da triagem em campo. O segundo é não descartar esse material junto com o resíduo comum ou reciclável convencional, mesmo que pareça pequeno, como um controle remoto ou um carregador.
O terceiro é procurar um ponto de coleta de eletroeletrônico na região, que pode ser mantido por entidades como a ABREE ou a Green Eletron, reconhecidas no âmbito da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O quarto é, quando o volume encontrado for grande, contatar diretamente uma empresa de manufatura reversa é a melhor opção para dar uma destinação correta aos materiais, em vez de descartar aos poucos em pontos de coleta de pequeno porte. O quinto é documentar o que foi encontrado, sempre que possível, para que a organização do mutirão tenha noção real do volume de resíduo eletrônico presente na região, informação útil para planejar ações futuras.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos atribui a fabricantes e importadores o dever de estruturar sistemas de logística reversa para produtos eletroeletrônicos. Isso não transforma um cidadão ou uma ONG organizadora de mutirão em responsável legal pelo material encontrado, mas indica que existe uma estrutura oficial, com pontos de coleta mantidos por entidades gestoras, preparada para receber esse tipo de resíduo. O papel de quem organiza o mutirão é direcionar o material para essa estrutura, não descartá-lo por conta própria em outro fluxo. Mais sobre o tema em PNRS e logística reversa.
Podem, e é uma forma prática de conectar responsabilidade ambiental corporativa a uma ação concreta. Uma empresa pode oferecer o descarte correto do material recolhido em um mutirão local, usando sua própria estrutura de contrato com uma recicladora homologada, em vez de deixar o material recolhido sem destino final definido.
A BrasilReverso atua na manufatura reversa de eletroeletrônicos, recebendo material de empresas geradoras para triagem, desmontagem e destinação correta. Ação de limpeza comunitária normalmente lida com volume pequeno e disperso, mas o princípio é o mesmo aplicado ao volume corporativo: separar o resíduo eletrônico do restante, documentar a origem, e encaminhar para uma empresa homologada, sem deixar esse material se acumular sem destino. Conheça o serviço de reciclagem de eletroeletrônicos e veja também como criar um programa interno de reciclagem, referência tanto para empresa quanto para quem organiza esse tipo de ação em maior escala.